Textos - Cristina Fonseca

O coletor de paisagens

 

Pensar a obra de Mauro Silper é caminhar por paisagens imaginárias definidas pela linguagem própria e estética peculiar, nas quais elementos recorrentes se encaixam em planos cuidadosamente demarcados, onde as cores e tons assumem o domínio irrestrito da proposta pictural, coroando a técnica apurada do artista.

 

Sentir a obra de Mauro Silper é caminhar pelo seu universo intuitivo, no qual a sensibilidade permeia toda forma de expressão e direcionamento para expor questões próprias do homem de maneira sutil, ponderada, fruto das vivências diversas.

 

A pintura de Silper estabelece um diálogo respeitoso com a natureza consagrando-a na sua totalidade; introduz a beleza do urbano como que a pedir licença e desculpando-se num só momento, como um intruso arrependido. Não se limita a prosseguir trajetórias já alcançadas, mas antes, habilita-se a ver o já visto com olhos incomuns. Estabelece uma relação intrínseca entre o formato que suavemente impõe à paisagem e a sua alma de peregrino dos mistérios que a inspiram. Cores improváveis, sobretudo, fazem associações que transcendem o usual, estabelecendo “uma força poderosa a influenciar a alma... e nela provocando vibrações”, como certifica Wassily Kandinsky, em seu ensaio Do espiritual na arte (1910).

 

Na série Quietude Íntima, o artista utiliza as cores e os espaços consideráveis para contrapor os estados negativos e perturbados da alma humana. Percebe que na imensidão do ambiente, o homem é, quase sempre, espectador de si mesmo; voltando-se para si é capaz de proezas. Onde estiver, seja na cena urbana, seja na cena campestre, o homem é o protagonista de si mesmo, quando percebe que reina soberano sobre seu estado íntimo. Não importa em qual situação, o artista revela nas paisagens que delineia, cotidianos comuns valorizados pelo uso das cores e seus matizes variados, espaços amplos, situações simples que fazem a interação entre o meio ambiente e o mundo interior de cada um.

 

A cidade oprime. A grandeza da natureza e a pequenez do homem se contrastam almejando a solução. A alma aquieta-se. O espírito acalma-se. Uma ideia de ideal apodera-se do indivíduo, dissolvendo todas as possibilidades de caos, tumulto e conturbação. Tudo parece perfeito. O ser parece perfeito como a serenidade que volta ao homem agitado diante de imagens silenciosas.

 

Quietude Íntima traz a esperança, o alento, o caminho seguro diante de incertezas cada vez mais presentes na vida sem afetação, sem angústia, sem sofrimento e sugere que qualquer um pode construir seu altar íntimo de paz e tranquilidade, mesmo estando sujeito às influências de um espaço tão conturbado quanto o do cenário atual das grandes cidades.

 

Seja através da temática empreendida, do intercâmbio entre luz e sombra, da abordagem disciplinada da composição ou da interação cromática com suas ousadias, o importante sempre será que o observador descubra o contentamento e a quietação de ser o elemento principal naquele instante preciso que defronta a pintura de Mauro Silper.

 

Cristina Fonseca

Curadora,

Produtora, Economista e Gestora de Negócios em Arte

Imaginário


Mauro Silper cria possibilidades do nada, num exercício de equilíbrio construído com precisas espatuladas, contrastes vivos de texturas e um sempre-movimento.


Elegendo a cor, em sua força dinâmica, como princípio composicional mais importante na sua pintura, dela vai tirando formas e movimentos, liberando intenções em favor da necessidade expressiva, da liberdade que a criação exige. Imaginar é a chave para abrir a porta do entendimento mais aproximado diante de algo que parece incompreensível, é o convite para explorar leituras dissimuladas.


É o chamado a participar de forma ativa e conivente dando margem a múltiplas interpretações ilusórias. Formas e traços antigos e modernos se entrelaçam em um cenário quase secreto. E assim, Silper constrói essa realidade sugerida, apenas sugerida, onde o olhar particular buscará permitir talvez, materializá-la no imaginário de quem a vê.

 

Cristina Fonseca
Gestora de Negócios em Arte e produtora

Imaginary


Mauro Silper creates opportunities from nothing, on an exercise built with precise spatulate, living contrasts of textures and an ever-moving.


Choosing the color, in its dynamic force, as the most important compositional principle in his painting, taking from it form and movement, releasing intentions in favor of significant need, from the freedom that creation demands. Imagining is the key to open the door of understanding approaching something  that seems incomprehensible; it is an invitation to explore covered readings.

It is the call to participate actively and conniving giving rise to multiple illusory interpretations. Ancient and modern forms intertwine in a nearly secret landscape. And so, Silper builds  this suggested reality, merely suggested, where the particular look will maybe seek to allow, materializing it in the imagination of the beholder.

Cristina Fonseca

Manager of Business in the Arts and producer

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